domingo, 30 de outubro de 2011

Bhaktapur: A cidade real e as surpresas de Changu Narayan

Nagarkot é uma vila cerca de 30 km de Kathmandu localizada nas montanhas e perfeita para quem quer ver um Nepal diferente!! Resolvi acordar as 4 da manhã e pegar um carro até o ponto mais alto de Nagarkot. De lá, após assistir um pôr-do-sol inesquecível iniciei minha caminhada de 4 horas que incluiu uma passagem por inúmeras vilas newaris (uma das castas local), o perfeito Templo de Changu Narayan e um final do dia em Bhaktapur, uma das principais cidades reais do Nepal e que dá o nome a região.

Esse lado do campo do país me marcou pela sua simplicidade e singelo e genuíno jeito de viver. A atração principal de Nagarkot é ver de perto como é a vida de um Nepalês, um povo que ainda vive em extrema situação de pobreza e tem uma inacreditável simpatia e carisma. Duas coisa me comoveram muito: por todas as casas onde eu passava as pessoas me ofereciam comida, leite e doces. A segunda coisa é que as crianças me paravam nas ruas de terra para pedir.... advinhem? Não era comida, nem dinheiro nem bala. Era CANETA! Sim, esse objeto tão comum é um verdadeiro objeto de desejo para as crianças. Perguntei para meu guia e ele disse que essa estranha "paixão" é porque eles acham que as nossas canetas são melhores e duram mais. Além disso claro, algumas crianças não tem sequer dinheiro para comprar uma canetinha e por isso pedem para os turistas.
Fiz a caminhada com um guia chamado Deepak e quem quiser o contato me avise que passo.



Apaixonante!!!!
Colheita muito comum no Nepal e um das principais
fontes de renda da região

O formato das montanhas é em degraus para evitar inundações
nas estações de chuva


Típicas casinhas de Nagarkot






No meio da caminhada meu guia veio com um programa diferente. Visitar um Templo há muito já esquecido pelos turistas mas um dos mais importantes monumentos do Nepal. O Templo Changu Narayan data do século 3 depois de Cristo e destaca-se do ponto de vista artístico, religioso, cultural, histórico e arqueológico! Ufa! Quase perdi o fôlego escrevendo tudo, haha. O templo é antigo, bemmmm menos preservado que os outros mas vale pelo seguinte: provavelmente só vai ter você e mais 2 turistas. No meu caso era eu e mais uma!!!!! Isso faz com que a visita seja realmente uma experiência espiritual. A gente deixa até de tirar fotos para admirar as estátuas perfeitas que datam do século 7. 


Viu só?? Só tinha eu no templo!
Portões de ouro no templo principal que
só é permitdo a Hindus.
Uma riqueza impecável!



Minha estátua favorita foi a Vishworup. É a estátua mais antiga fora de um templo no Nepal. Para quem olha para a estátua, o lado esquerdo representa o céu e o lado direito o inferno e bem no meio está o Deus Vishnu. A estátua retrata como surgiram as 4 castas do Nepal: da boca de Vishnu saíram os Brâmanes (conhecidos por sua habilidade em falar), dos braços os Chitris (também chamados de guerreiros), das maõs os Newaris (conhecidos por seus artesenatos) e dos joelhos e pés os Sutras (voltados para trabalhos mais manuais e simples como costurar e fazer consertos). 
(Só um lembrete: apesar de hindus como os vizinhos da India as castas podem sim sofrer ligeiras diferenças nos nomes mas se ligados as suas "especialidades" podem ser correlacionadas).

Estátuas estão por toda parte!



Mais ouro...
E ouro...
Vishworup em pessoa! Parcialmente destruída
por conta de um terremoto mas ainda com muita
história para contar
Mas o dia ainda não estava no fim e para fechar com uma chave de ouro minha última parada foi Bhaktapur! A cidade real mais importante e grandiosa no Nepal!! O magnetismo é a primeira vista e o tamanho também! Os templos, palácios, praças são tantos que talvez em uma visita não se veja a cidade toda nos detalhes. Pinturas, esculturas, alvenaria, fundição de bronze, jóias, cerâmica, é isso que se vê ao chegar nesse complexo de templos que parece que não acaba nunca. 

Claro que a famosa Durbar Square é o centro de tudo e abre a visita com um fenomenal portão de ouro. Para mim os pontos imperdíveis são: O Palácio das 55 janelas, o Templo de Siddhi Laxmi, o Portão de Ouro e o Praça Taumadhi, com o templo mais alto do Nepal. 

Olha eu lá em cima!! Uma formiga!


O Portão de ouro



 

Siddhi Laxmi, meu favorito!!!
Palácio das 55 janelas



Muita arte para ser apreciada!


Já leu a introdução ao Nepal?? Veja aqui tudo que pode te ajudar na visita ao país!

domingo, 16 de outubro de 2011

Os Sadhus de Pashupatinath

O Nepal é sem dúvida um dos destinos mais baratos para se visitar. Claro que você leva exatamente o que paga, por isso nâo vale escolher um Guesthouse de 2 dólares e reclamar depois. Pelas minhas andanças no Thamel fiz duas descobertas que quero compartilhar:

- O Hotel Mandap.  É decente, limpo, cama gostosa mas acima de preço dos Guesthouses (Cerca de 25 dolares o quarto) mas valeu a pena. Tem wi-fi no prédio todo e um restaurante de tirar o fôlego! Uma comida bem barata e muito boa (e limpa). Além disso a localização é excelente. Bem no centro do Thamel e perto de várias lojinhas. Para quem se interessar é só conferir no endereço www.hotelmandap.com.

- Existem no Thamel MILHARES de agências de turismo. Eu vou recomendar uma que organizou minha viagem para Pohkara pois além de organizada tem como chefe uma mulher super fofa,  simpática e me passou confiança e presteza em tudo que fez. O bom é que essa agência além de organizar trekkings pelo Himalaya faz qualquer pacote que você pedir. Quanto ao preço não tenho muitas referências pois essa foi a única que entrei e como gostei fechei por lá, mas se você quer fugir do risco de ser enganado recomendo procurar lá também. O endereço é www.trekkingtrails.com. O nome da empresa é Himalayan Trail Finder e a dona chama-se Shanu (aiiiii, adorei tanto ela que pagaria tudo de novo).

Depois dessas dicas super quentinhas chegou a hora de passear pelo Nepal e dessa vez, iniciando o dia em super alto estilo.... 
Depois de cruzar o rio Bagmati chega-se no mais importante templo para o Deus Shiva: Templo de Pashupatinath. O templo mais antigo de Kathmandu leva o nome do deus dos animais e é um lugar de peregrinação constante no Nepal. Dentro do site há um complexo de pequenos templos e santuários chamado de Panch Deval, decorados com domos de ouro maciço onde a entrada de não hindus é proibida, por isso ficamos só com o gostinho de entrar e admirar de fora a beleza das contruções.

Na época dos grandes reinos, a margem do Rio Bagmati apenas cremações reais ocorriam. Hoje porém, as cremações são abertas ao público e significam um ato de purificação física que devolve ao corpo os cinco elementos necessários para a reencarnação: ar, água, fogo, céu e terra. Como acredita-se que o mínimo de sete sacramentos devem ser alcançados para o corpo estar devidamente preparado para a reencarnação os bebês não são cremados e sim enterrados. Além de cremações, pessoas se banham no rio, juntamente com vacas e os macacos, que parecem estar em todos os lugares no Nepal.

Porém os personagens mais notórios desse templo são os Sadhus. Esses homens sagrados que renunciam sua vida para viver algo "superior" em busca da iluminação e elevação espiritual. Cortam seus laços com suas famílias, se desfazem de qualquer bem material, comem uma comida simples e se vestem de pouco ou nenhuma roupa. Na tradição hindu a renúncia é uma prática comum que pode levar anos, junto de um guru, trabalhando com uma espécie de servo até que o indíviduo esteja realmente preparado.Eles podem ser encontrados em templos e ashrams e realizam benção em casamentos, removem demônios e dizem curar pessoas. Bem eclético né?
Vale muito uma foto com essas figuras peculiares por 100 rúpias (cerca de 2 dólares).











Como a diversidade é a marca registrada do Nepal nada como sair de um grande tempo Hindu e visitar o visitar o templo budista mais importante do Nepal: Boudhanath. A grande stupa* do ano de 600 DC foi destruída em uma invasão mongol e reconstruída no século XIV sendo considerada hoje uma das maiores do mundo. Os misteriosos olhos de Budha nas quatro direções marcam o templo construído nas mais perfeitas porporções onde cada pequena parte tem um importante significado religioso.












Dizem que a stupa foi construída com alguns ossos do próprio Siddhartha Gautama, verdade ou não ela é um enorme centro de peregrinação que tem 108 estátuas de Budha representando os aspectos da consciência iluminada para alcançar a verdadeira transformação espiritual. Além disso monges tibetanos estão por todos os lugares por conta de pequenos templos ao redor da stupa e as inúmeras rodas de oração dão um toque ainda mais espiritual ao local.

Vale a pena escolher um restaurante e comer por lá, isso permite uma vista maravilhosa da stupa e de seus milhares de visitantes!

Dica de restaurante: BOUDHA STUPA Restaurant & Cafe, gostoso e com TODA  vista do templo pois fica no alto.

* Stupa: É um estilo de monumento que completa um templo. Sua arquitetura reflete de forma simbólica o caminho para uma maior espiritualidade, por isso o formato de degraus até chegar na torre.


Já leu a introdução ao Nepal?? Veja aqui tudo que pode te ajudar na visita ao país!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Cidade Real: Patan

Chegar em Kathmandu foi um verdadeiro alívio depois de um péssimo voo na cia área Nepal Airlines e 3 horropilantes horas de total turbulência! Já era noite, o motorista do albergue me esperava e eu estava ansiosa pra dormir, acordar e começar a aventura. Fiquei hospedada no Thamel, o centro turístico de Kathamandu e a melhor opção para quem viaja sozinho por conta da concentração de turistas do mundo todo.
A nossa primeira parada de manhã foi em Patan. O Vale de Kathmandu é composto por 3 áreas principais: Patan, Kathmandu e Bhaktapur sendo essas 3 também chamadas de Durbar Square, o que as denota como o local onde ficavam antigos reinos e palácios reais. Começar por Patan significa chegar em uma cidade que acredita-se ter sido fundada no ano 299 antes de Cristo com templos budistas e hindus com seus portões de bronze e guardiões talhados na porta pelos artesãos locais, que deram a cidade a fama de "cidade dos artistas". A cidade é marcada por stupas e estátuas de pedra sendo Templo de Krishna o mais visitado por sua riqueza de detalhes nas pilastras de madeira completamente entalhadas.

O que antes era uma área nobre dos antigos reinos é hoje um ponto de encontro para os Nepaleses de qualquer classe. Mesmo chegando lá as 10 da manhã a praça estava lotada de pessoas que após a benção matinal ficam pelos arredores conversando e simplesmente matando o tempo. Dois detalhes curiosos: Patan foi minha primeira parada no Nepal, meu guia me explicou que ao entrar em um daqueles templos, é sinal de respeito tocar no sino que fica na porta para avisar aos Deuses que você está entrando na sua casa. Além disso, o pontinho vermelho na minha testa (dá pra ver na segunda foto) é o sinal que já fiz minha prece matinal e estou abençoados por aquele dia, praticamente todos os nepaleses a usam. É uma tinta pastosa e vermelha que fica logo na entrada e deve ser aplicada na testa na saída do templo.









No topo do Vale de Kathmandu um templo especial pelos seus principais e constantes visitantes: O Templo de Swayambhunath, também conhecido como o Templo dos macacos.  Em um país basicamente hindu esse templo budista recebe ambas religiões e é formado de uma grande stupa e pequenos templos e santuários em sua volta. Seu domo principal representa o mundo e os 13 pináculos representam os 13 estágios que o ser humano deve passar até atingir o perfeito estado de iluminação espiritual. Os pares de olhos representam a sabedoria e compaixão mas o terceiro olho, esse sim, representa os olhos de Budha que emana mensagens espirituais para seus seguidores.

Uma subida que demoraria alguns minutos acaba se alongando por conta dos macacos que estão por todos os lugares e atraem a atenção de todos. São famílias inteiras de macaquinhos que tratam o templo como seu lar. Eu parei de contar quando cheguei em 180 macacos e com certeza tem muito mais do que isso...









Na base do domo inúmeras rodas tibetanas estão a disposição de seus visitantes. Os guias ensinam a rodar todos eles, um por vez e consecutivamente pedindo benção e vida longa. Não custa tentar né?

Abaixo fiz um video com mais fotos do Nepal, com uma típica música canção polular nepalesa!!






Próximas postagens:

- Os Sadhus de Pashupatinath
- A Cidade Real: Bhaktapur
- Festival das cores
- Você sabe o que é uma Kumari?
- Pokhara e Sarangkot


Já leu a introdução ao Nepal?? Veja aqui tudo que pode te ajudar na visita ao país!

domingo, 9 de outubro de 2011

Namastê, Bem vindo ao Nepal!

Imagine um lugar onde as ruas não tem sinal de trânsito (mas se têm, estão quebrados), os motoristas buzinam freneticamente e se emaranham entre motoqueiros que carregam 5 pessoas e vacas, sim, centenas delas por todo lugar ocupando as calçadas e ruas. É mais ou menos isso que se vê quando chega-se no Nepal.

O país mais Hindu do mundo com 80% da sua população seguindo rigorosamente essa tradição marcada pelo sistema de castas, crença em Deus e nos livros sagrados e uma infinidade de divindades que resumem a força máxima, sabedoria e poder, artes, ordem e etc. São tantos que eu precisaria de um blog para descrever todos! rsrs. Mas o aspecto mais marcante é a possibilidade de coexistência com demais religiões (Budismo, Islamismo e outras) que descrevem o povo do Nepal como pacífico, simpático e extremamente receptivo a estrangeiros. A língua oficial é o Nepali mas existem outras línguas e dialetos dependendo do lugar onde se vai e dependendo da casta que estamos falando.

O país, onde cerca de 40% da população vive em extrema pobreza e fraca economia, pode ser uma viagem inesquecível para os que entenderem certas limitações. Falta luz todo dia (os albergues já tem um horário semanal de quando vai ou não ter luz e é possível ver turistas com lanternas quando a noite cai) e comer pode ser difícil por conta das condições de higiene duvidosas mas ainda sim o Nepal foi sem dúvida a viagem mais impactante até o momento. 
As crianças são daquelas que dá vontade de levar pra casa e as pessoas querem tanto te deixar a vontade que é impossível não pensar em voltar lá um dia.

Bebê que encontrei em uma Vila Newari


Essa semana irão começar as postagens sobre os 5 dias que passei no Nepal e incluem: Kathmandu, Nargakot e Pokara. Não perca!!!!



RESUMÃO SUPER ÚTIL!!!!!

Onde ficar:

- Elbrus Home
Hostel razoável. Fechei pelo Hostelworld (assim como todos os demais acima) e o dono me levou para um outro albergue, no seu novo prédio. Nada contra, ele me colocou na "cobertura" em um quarto single enorme e foi super simpático. O café da manhã é legal.

- Mandap Hotel: Bem na "meiúca" do Thamel (Centro) é um hotel 3 estrelas, perto de TU-DO que você vai precisar. Fiquei apenas por um dia em um quarto honesto por um preço bom (USD 30/noite), é legal porque tem uma padaria e um restaurante dentro com comidas típicas deliciosas.

- SUGESTÃO: Dentro da Bhaktapur Durbar Square tem um hotel/hostel muito legal!! Primeiro porque é dentro do site do templo, dentro digo dentro mesmo, quando as portas do lugar fecham apenas hóspedes podem entrar, achei sensacional para uma experiência diferente. Chama-se Shiva Guest House e me pareceu confiável. Não posso falar do quarto mas tem um restaurante anexado nele muito simples e gostoso.

Como chegar: A Nepal Airlines pode ser uma opção se você não tem medo de voar pois os aviões são antigos (BEM antigos) PORÉM têm tarifas muito boas. Minha origem era Hong Kong e paguei menos de 400 dólares pela pernada.
Para uma opção mais segura tem a  Qatar Airways, China Southern Airlines, Air France, Turkish Airlines ou Air India (outras fazem o trecho também mas essas são as  companhias mais recorrentes por lá).  

O que fazer: Andando pelo Thamel, encontra-se dezenas de agências de turismo. Elas oferecem passagens, tours pelo Himalaya, Pokhara e facilidades para tirar vistos para Butão e países da redondeza.
Gostei muito da Himalayatrailfinder, quem me atendeu foi a gerente, Shanu Rana e fui com a cara dela na hora. Honesta, bom inglês e me vendeu exatamente o que eu pedi.
Para chegar nos templos tudo depende do seu nível de aventura... eu contratei um taxista para o dia todo, é uma opção cômoda para não ficar a mercê dos taxis (podem cobrar caro ou te dar uma volta) e ter certeza que você está indo para o lugar certo.

Preços em geral: Um dólar custa cerca de 87,58 Rúpias nepalesa. Uma entrada num templo gira em torno de 500 (Pashupati), 150 (Boudhanhath), 200 (Swayambhu) ou 1100 (Bhaktapur) o que significa dizer respectivamente USD 5; USD 1,71; USD 2,28 e USD 12 - esse último considerado o melhor templo da capital Kathmandu - , super em conta né?

Visto: Emissão na chegada ao país por USD 30.
Em seguida, um post para cada coisa legal do Nepal!! APROVEITEM!!!!!!!
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